Neste ano, o Rio de Janeiro não foi apenas cenário de livros, ele foi a própria história. Coroada como a Capital Mundial do Livro, a cidade respirou literatura e antecipou sua grande celebração: a Bienal Internacional do Livro de 2025 chegou mais cedo, em junho, não como um evento, mas como um festival épico que prometia transformar leitores em protagonistas. E cumpriu.
A primeira impressão, ao chegar logo no dia de abertura, era de uma calmaria mágica. O burburinho das caravanas escolares, que o estado tão bem promove (e que me fisgou para a leitura lá pelos meus 13 anos), já começava a preencher os corredores. Era um ambiente gigantesco, pulsando com a promessa de aventuras, mas ainda sem a lotação avassaladora dos dias de pico. Era o palco perfeito para explorar.
E que exploração! A Bienal deste ano se reinventou como um verdadeiro parque de diversões literário. A primeira parada, impossÃvel de ignorar, era a Roda-Gigante “Leitura nas Alturas”. Ali, o convite era para ver seus mundos favoritos tocarem o céu. Embarquei com uma amiga e suas duas filhas, e vi nos olhos delas o fascÃnio de sobrevoar o evento em uma cabine da Turma da Mônica, enquanto Percy Jackson e as crônicas de Nárnia giravam ao lado, com trechos de suas histórias ecoando em um passeio sonoro e imersivo.
Em terra firme, a imersão se aprofundava. O Labirinto de Histórias Paper Excellence nos convidava a, literalmente, caminhar por dentro das páginas. Em um momento, estávamos tateando os espinhos e rosas do universo de Sarah J. Maas; no outro, desvendando os segredos de Wicked e do PaÃs das Maravilhas em uma releitura sombria e fascinante. A magia era palpável, e não vinha só das instalações. Pude ver de perto a alegria genuÃna das crianças ao se depararem com um dragão cuspindo fogo em um estande ou com os cosplayers que desfilavam como se tivessem acabado de saltar de seus livros.
Para os que preferiam um desafio à magia, o Escape Bienal Estácio era a atração. Inspirado nos thrillers que nos tiram o sono, o espaço nos trancava em salas onde a presença de Agatha Christie era quase real, o desaparecimento de Raphael Montes se tornava um enigma a ser resolvido, e os suspenses de Freida McFadden e Cara Hunter ganhavam vida, testando nossa coragem e intelecto.
No coração de tudo isso, pulsava o Palco Apoteose Shell. Ali, os criadores de todos esses universos se encontravam com seu público. Gigantes como Itamar Vieira Junior e Carina Rissi dividiam os holofotes com estrelas internacionais como Brynne Weaver e Lynn Painter, em mais de 70 horas de conteúdo que conectava a literatura ao teatro e ao cinema.
E para os pequenos leitores, a Biblioteca Fantástica era um capÃtulo à parte. Um espaço de 500m² sem paredes, feito de túneis, livros que voavam e páginas que se abriam em labirintos. Foi ali que a experiência se completou para mim, observando as filhas da minha amiga não apenas lendo, mas brincando de ler, vivendo a leitura como uma aventura fÃsica.
A Bienal 2025 foi uma prova de que um livro nunca é só um objeto. É um portal, um desafio, uma viagem. Uma experiência mágica compartilhada por todas as idades.
Ah, e em meio a tantas memórias inesquecÃveis, uma pergunta divertida ficou no ar, ecoando pelos corredores e redes sociais: qual foi a história por trás do surto do patinho? Se alguém desvendou esse delicioso mistério, por favor, conte aqui nos comentários.



