A beleza de quem começa de novo
No dia de hoje eu queria falar sobre inspiração. E, curiosamente, sempre que penso nessa palavra, a primeira imagem que me vem à cabeça é a de um caderno em branco. Para muita gente ele é apenas papel, mas para mim representa possibilidades infinitas. Cada página vazia pode se transformar em uma história, uma lembrança, um sonho ou até mesmo em uma nova versão de quem somos. Vou tentar organizar as ideias para não me perder pelo caminho.
O título do post de hoje é sobre a minha mãe.
A vida dela foi marcada por muitos altos e baixos. Engravidou muito nova, assumiu responsabilidades que talvez ninguém devesse carregar tão cedo e foi para a luta para dar o melhor para as filhas. Sei que ela falhou em muitas coisas como qualquer pessoa falha , mas nunca consegui duvidar de que, na maior parte do tempo, ela estava tentando acertar.
Mesmo quando parecia não existir saída, ela sempre encontrava uma maneira de seguir em frente. Fazia de tudo para que nada faltasse para mim. Às vezes faltava, é verdade, mas eu sempre via o esforço dela para mudar aquela realidade. E isso ficou marcado.
Hoje, depois de tantos anos de luta, é bonito ver ela vivendo uma fase diferente. Voltou a se amar, a cuidar de si mesma, conquistou a tranquilidade financeira para fazer coisas que gosta, como ir à academia, pescar e viajar. Ver alguém florescer depois de tantos anos sobrevivendo é uma das coisas mais inspiradoras que existem.
Meu parceiro de vida também merece um espaço neste texto.
Ele teve uma infância confortável e poderia ter seguido um caminho previsível. Mas, quando precisou colocar a própria vida à prova, abriu mão de muitas certezas para buscar algo que fazia mais sentido para ele do que status social.
Recomeçou praticamente do zero, sem a estrutura que tinha antes. Mesmo assim, conquistou um bom concurso público, concluiu sua pós-graduação e continua sonhando com objetivos ainda maiores. A coragem de recomeçar sempre me inspira, principalmente quando vejo isso tão de perto.
Existe uma inspiração que nunca me abandona: a capacidade que as histórias têm de transformar quem as lê. Um livro é apenas papel e tinta, mas também pode ser abrigo, companhia e coragem. Sempre que termino uma leitura e fecho a última página, sinto que deixo de ser exatamente a mesma pessoa que começou a primeira. É por isso que continuo lendo. Não apenas para conhecer novas histórias, mas para descobrir novas versões de mim mesma.
Entre essas histórias, existe um autor que ocupa um lugar muito especial: Carlos Ruiz Zafón.
Conheci sua obra ainda na adolescência. Naquela época eu já lia sagas como Percy Jackson e Harry Potter, mas foi com O Cemitério dos Livros Esquecidos que passei a enxergar os livros de outra maneira. Eles deixaram de ser apenas entretenimento e passaram a representar memória, resistência e algo que merece ser protegido.
Vivemos em um mundo onde, tantas vezes, governantes tentam apagar a história, censurar ideias e silenciar grandes pensadores. Talvez por isso a obra de Zafón tenha me marcado tanto.
Também me inspira o fato de que, mesmo após alcançar um sucesso mundial, ele deixou expressamente proibida qualquer adaptação de seus livros para o cinema ou a televisão. Para ele, sua obra era feita para ser lida, não assistida. Em um mundo onde quase tudo pode ser transformado em produto, essa decisão me parece um ato raro de fidelidade à própria arte.
Talvez seja por isso que pessoas que escrevem também me inspirem tanto.
Escrever, para mim, é acreditar que alguém, em algum lugar, vai encontrar um pedaço de si nas palavras de um desconhecido. É uma tentativa silenciosa de dizer: "você não está sozinho". Gosto de pensar que as palavras são capazes de construir pontes entre pessoas que talvez nunca se encontrem, mas que, por alguns instantes, compartilham o mesmo sentimento.
Na música, uma das minhas maiores inspirações é Patti Smith.
Ela conseguiu unir a poesia de artistas como Bob Dylan e Lou Reed à energia do punk que estava surgindo em Nova York. Depois ainda absorveu influências de Bruce Springsteen, se tornando uma ponte entre diferentes gerações da música.
Mas não é apenas pela importância histórica que ela me inspira. É pela coragem de criar algo que ninguém mais fazia. Suas músicas conseguem ser intensas, delicadas, caóticas e poéticas ao mesmo tempo. Dá para perceber sua influência em boa parte do rock alternativo que surgiu nas décadas seguintes, e isso mostra como a arte de uma única pessoa pode atravessar gerações.
E, por último, existem aquelas pequenas coisas que arrancam um suspiro sem fazer esforço algum.
Meu gato dormindo ao sol.
Meu gato dormindo ao sol.
- A luz da tarde desenhando sombras bonitas na praça.
- Um beija-flor aparecendo na janela à procura de água.
- Até mesmo as abelhas, que definitivamente não são minhas melhores amigas, me encantam enquanto visitam uma flor de cada vez e ajudam, silenciosamente, a manter a vida acontecendo.
- Até mesmo as abelhas, que definitivamente não são minhas melhores amigas, me encantam enquanto visitam uma flor de cada vez e ajudam, silenciosamente, a manter a vida acontecendo.
No fim das contas, percebo que um pouco de tudo me inspira.
Pessoas que resistem. Livros que transformam. Músicas que atravessam o tempo. Histórias de recomeço. Animais vivendo sua rotina. A natureza fazendo seu trabalho sem pedir reconhecimento.
Talvez inspiração seja justamente isso: aprender a olhar para o mundo com atenção suficiente para perceber que sempre existe alguma beleza esperando para ser encontrada.

Amando e sendo amada ?
Preciso voltar estudar para a prova
Divã da Diva
Nadinha
Friends, temp 3
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