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medianerax - blog pessoal

O som que inaugura a minha memória não é o de uma notificação, mas o da água batendo no tanque durante a madrugada. Era o ritmo das tarefas domésticas da minha tia e da minha avó, sempre acompanhado pelo chiado de um rádio de pilha que parecia filtrar a realidade. Naquela época, a rádio AM não era um acessório; era uma entidade que preenchia a casa e transformava o cansaço em algo compartilhado. O som não era um muro, era uma ponte que unia o sabão em pó ao resto do mundo.

No centro dessa experiência, surgia o locutor de voz aveludada, o mestre das traduções de músicas românticas. Ele era o simulacro de um algo que o cotidiano não oferecia, traduzindo sentimentos estrangeiros para quem estava com as mãos na água e os pés no chão. Havia uma humanidade naquela imperfeição, uma conexão que parecia palpável. Ele não falava para um algoritmo; ele falava para mulheres que precisavam que o silêncio da casa fosse preenchido por uma fantasia qualquer.

Hoje, o cenário mudou e o som se tornou um escudo individual. Percebo como cada pessoa ao meu redor está protegida por sua própria parede invisível. O fone de ouvido é a nossa fronteira definitiva, o dispositivo que nos permite estar cercadas de gente enquanto garantimos que ninguém consiga nos acessar. Evoluímos do rádio coletivo, que todos na sala ouviam, para o podcast particular, que ninguém ao lado pode escutar.

É nesse isolamento acústico que eu gravo o Medianerax. O nome não é apenas uma homenagem ao filme argentino, mas um diagnóstico da minha própria vida. Uso o microfone para falar sobre temas que a pressa urbana me impede de dizer no dia a dia. É a ironia máxima da nossa era: crio um programa de áudio para expressar o que não consigo falar cara a cara com quem divide o elevador comigo. Sou especialista em monólogos gravados e analfabeta em conversas casuais.

O locutor da minha infância era um personagem, mas ele falava para uma comunidade. Eu, por outro lado, busco o podcast como uma forma de solidão acompanhada. Ouvimos horas de conversas de estranhos para suprir a falta que faz um diálogo real, aquele que exige contato visual e a coragem de ser interrompida. Estamos tão viciadas na conveniência do áudio editado que o silêncio de um encontro físico passou a ser insuportável, um erro de sistema que precisamos corrigir com o próximo play.

A arquitetura das cidades, com suas janelas que dão para paredes cegas, encontrou o seu equivalente tecnológico: O fone de ouvido, uma janela que abrimos para o mundo, mas que curiosamente nos mantém trancadas do lado de dentro. O marketing nos vendeu a ideia de conexão, mas o que vejo são milhares de pessoas ouvindo traduções de realidades alheias enquanto desaprendem a traduzir o que sentem para quem está sentado logo ali, na porta ao lado.

A voz sedutora do rádio antigo foi substituída por uma perfeição sintética e por algoritmos que reforçam apenas o que já pensamos. Perdemos o chiado, a interferência e o acaso de ouvir algo que não escolhemos. No Medianerax, tento derrubar esses muros, mas não deixo de notar o paradoxo: sou uma publicitária falando para o vazio, esperando que minha voz alcance outra mulher que, assim como eu, também está usando um fone para se esconder da multidão.

Se o rádio de pilha era o som da casa aberta, o podcast é o som da porta trancada. Preenchemos o vazio com vozes constantes para não termos que lidar com o eco dos nossos próprios pensamentos ou com o desconforto de um "olá" inesperado. No fim das contas, a tecnologia nos deu o poder de escolher a trilha sonora da nossa vida, mas nos tirou a habilidade de dançar com quem não conhecemos o ritmo.

 

Se todos decidissem tirar os fones de ouvido no mesmo segundo em um lugar lotado, você acha que finalmente começaríamos a conversar ou o silêncio seria aterrorizante demais para suportar?

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Demorei para trazer esse relato, mas finalmente chegou a hora: já faz três meses que estou com a CNH no bolso. Moro no Rio de Janeiro e comecei todo esse processo em agosto de 2025, logo depois que saí do escritório onde trabalhava. Com mais tempo livre, senti que finalmente conseguiria me dedicar às aulas do jeito que sempre quis.

A primeira coisa foi procurar um CFC próximo de casa (para quem não sabe, Centro de Formação de Condutores é o nome oficial do que todo mundo chama de autoescola). Lá me informaram que tirar a carteira categoria B, somente carro, sairia em torno de R$1.200 com as 20 aulas e o curso teórico, enquanto a AB, que inclui moto, ficaria por volta de R$1.600. Não sei bem explicar o que me deu, mas saí de lá matriculada nas duas. Estava na emoção de realizar uma meta que carregava comigo há anos: tirar a CNH antes dos 30.

Depois da matrícula, o próximo passo foi agendar o dia no Detran para tirar a foto e dar início oficial ao processo. Uma dica importante: caprichem no visual nesse dia, porque é também quando tiram a foto que vai para o documento. Sobre o prazo, vale mencionar que após a reforma não existe mais aquele limite de 12 meses para concluir tudo.

A etapa que mais consumiu tempo logo no início foi agendar a avaliação psicológica e o exame de vista, feitos em uma clínica credenciada. Demorou quase um mês só para conseguir uma data, mas a avaliação em si foi rápida: menos de três horas entre a psicóloga e o oftalmologista. Saí de lá com a confirmação do que já suspeitava: miopia forte e óculos obrigatórios.

As aulas teóricas vieram na sequência e duraram cerca de três semanas. Colocava o máximo de aulas possível por dia, no formato presencial, e me apaixonei pelo professor Zamma, que ia muito além da legislação de trânsito e ensinava mesmo sobre como se portar como ser humano no trânsito. Ao terminar as aulas, esperei mais de um mês para conseguir agendar a prova teórica. Confesso que bate um frio na barriga na hora, mas fui muito bem: de 30 questões, acertei 28, mesmo sem ter estudado durante o período de espera.

Escolhi começar a parte prática pela moto. Andei de bicicleta por muitos anos e isso faz toda a diferença para quem quer aprender a pilotagem, gente, equilíbrio é tudo. Além disso, já temos uma moto em casa, então eu tinha alguma noção, mas nunca tinha colocado a mão no guidão de verdade porque meu noivo não deixava antes da CNH, e ele estava certíssimo. Foram aproximadamente um mês e meio de aulas, duas ou três vezes por semana, com o instrutor Leonardo, que foi incrível. A chave para aprender mesmo é a calma: vi muitas colegas tão apavoradas com a possibilidade de cair que acabavam caindo. Eu mesma derrubei a moto uma vez porque não percebi que ela ia apagar e fui junto para o chão, mas faz parte, a gente aprende vivendo. Ao finalizar as aulas, mais um mês de espera pelo agendamento da prova no Detran, que demora demais para marcar qualquer coisa. A pior sensação era achar que o prazo iria vencer antes de terminar todas as etapas.


Nesse intervalo, já tinha iniciado as aulas de carro. Sempre tivemos carro em casa, mas eu nunca tinha sentado no banco do motorista para tentar dirigir. Admito que foi estranho no começo: entendia a mecânica, mas não tinha noção de espaço e distância. O percurso das aulas era desafiador: 40 minutos no trânsito caótico do Rio, com motociclistas, idosos, ônibus e vans ao mesmo tempo, tudo isso em um carro manual, o que exigia atenção redobrada para não apagar o motor no meio da rua. Felizmente isso nunca aconteceu e fico muito grata. A maior dificuldade foi e ainda é calcular distância na hora de ultrapassar ou trocar de faixa rapidamente, mas no geral foi tudo muito tranquilo.


Agora vem a parte mais dramática: as provas.

Na prova de moto, fiz o simulado no dia anterior e cheguei ao Detran às cinco da manhã para treinar antes do exame marcado para as nove. Fiz várias voltas e estava bastante confiante. Minha dificuldade era passar pelo primeiro cone, eu sabia que se conseguisse ali o resto fluiria bem, e foi exatamente o que aconteceu. Acelerou um pouco mais do que o planejado, pulei o primeiro e fui direto para o segundo, mas sem queimar nenhuma faixa e com a prova concluída com sucesso.

A prova de carro foi mais tensa. O Detran cancelou a prova no dia marcado e remarcou três semanas depois. Quando o dia chegou, consegui dar apenas uma volta de aquecimento antes de ser chamada. Não estava lá muito confiante, mas sempre que bate esse sentimento eu canto a música de abertura de CSI Miami e me sinto imbatível. O avaliador viu minha tatuagem de gato, disse que era apaixonado por gatos e pronto, a conversa quebrou o gelo e o nervosismo foi embora. Na baliza cometi um pequeno deslize em um dos pontos, o carro ficou um pouco para fora, mas como havia sido rápida ele pediu apenas para ajustar. Respirei fundo e pensei: na rua nem sempre tem alguém para ajudar, então se vira, diva, você não é quadrada. Finalizei a baliza dentro do tempo, cumpri o trajeto, ainda conversei bastante com os avaliadores sobre o concurso do Detran que está para sair faz uns anos e saí de lá sem perder nenhum ponto. A diva divou mais uma vez.



Então, meninas: façam. A liberdade que vem com uma carteira de habilitação é algo que não tem preço. Já peguei a moto algumas vezes, ainda com um pouco de cautela, e estou juntando para comprar um carrinho. Foi uma aventura de meses, com alguns imprevistos no caminho porque eu estava atendendo vários clientes ao mesmo tempo e precisava equilibrar tudo sem atropelar ninguém, no sentido literal e no figurado. Mas valeu cada segundo. Façam muitoooo!





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Comprei Amor em Manhattan em uma promoção no site da americanas e o que me fisgou foi a expectativa de encontrar aquele romance clássico de personagens cheios de química que vivem se provocando. Sabe aquele triângulo delicioso de ranço, amor e desejo? Era exatamente isso que eu esperava.

A história acompanha Paige Walker, uma jovem que passou boa parte da infância e adolescência hospitalizada e que agora quer viver intensamente e provar seu valor para o mundo. Quando ela, Frankie e Eva perdem o emprego em uma empresa de eventos, o irmão de Paige, Matt, chama seu melhor amigo Jake Romano para ajudar no momento difícil. No meio das incertezas, as três decidem abrir o próprio negócio, e é aí que a história começa a ganhar corpo: porque para Paige, enfrentar os desafios de empreender é quase simples perto de esconder o que sente por Jake. Quando ele faz uma proposta para ajudar a empresa, a química entre os dois fica impossível de ignorar.

O que me surpreendeu foi a camada que a autora trouxe por baixo do clichê. Jake não é apenas o solteirão cobiçado de sempre: ele carrega um passado doloroso que vai sendo revelado aos poucos, tornando-o muito mais humano do que parece. Paige, por sua vez, sai da posição de alguém tentando escapar da superproteção da família e se transforma em uma mulher disposta a lutar pelo que ama e a correr riscos de verdade. A narrativa alterna entre os dois pontos de vista, o que ajuda a sentir a profundidade dos sentimentos de cada um. Eva, Frankie e Matt também enriquecem a trama e dão aquele suporte emocional que faz a história respirar.

Sendo honesta: o começo é previsível, com diálogos simples e apresentação de personagens bem comportadinhos. Mas a autora foi ganhando meu entusiasmo ao longo das páginas. Amor em Manhattan é daqueles livros que começam parecendo mais do mesmo e terminam com você investida de verdade na jornada de cada personagem. Vale a leitura, especialmente para quem gosta de romances que escondem mais do que mostram no início.




Nota: 3.5
Amor em Manhattan é o primeiro da serie de livros.
Gênero: Romance
Páginas: 383


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O motor do BRT não apenas faz barulho; ele grita. É um som metálico e persistente que vibra na sola do pé enquanto impede qualquer tentativa de pensamento linear. Enquanto o hardware, esse ônibus sucateado que sacoleja pela Estrada dos Bandeirantes, ameaça desmontar a cada buraco, percebo que estamos todos tentando rodar versões de "luxo" em máquinas obsoletas. É a imagem perfeita da nossa década: um software de última geração sendo forçado em um equipamento que já pediu demissão há muito tempo.

Na última fileira, o brilho neon da tela de um jogo de apostas hipnotiza um passageiro que busca um milagre digital entre um solavanco e outro. É a nossa nova roleta russa, com o desespero humano embalado em pixels coloridos e sons de moedinhas virtuais competindo com o barulho de um motor fundindo. O marketing parou de vender produtos para oferecer saídas de emergência milagrosas a quem está preso no engarrafamento da vida real.

Essa falta de futuro se reflete diretamente no que consumimos para nos distrair. É curioso como o mundo parou para celebrar o anúncio de uma continuação para O Diabo Veste Prada ou o retorno de bandas que acabaram quando os estagiários de hoje ainda eram crianças. Se o inferno são os outros, no cotidiano carioca o inferno é o celular do vizinho no volume máximo tocando funk, aliado à nossa incapacidade coletiva de suportar o novo. Acabamos preferindo o conforto de uma história conhecida ao risco de descobrir algo que ainda não foi validado pelo algoritmo.

A moda entrou no mesmo loop infinito. A estética dos anos 2000 está em todo lugar, com cinturas baixas e fones de ouvido com fio usados como acessórios de luxo por quem sequer viveu aquela época. Não se trata de inovação, mas do mercado trocando a etiqueta do que estava no fundo do baú para nos vender o antigo como se fosse algo inédito. Se na natureza nada se cria e tudo se transforma, na publicidade atual nada se inventa e tudo ganha um remake com mais resolução para mascarar a preguiça criativa.

Vivemos a era da atualização constante. O ser humano parou de buscar o progresso real para se contentar com uma versão corrigida do passado. No cinema, as telas são inundadas por reboots de super-heróis e franquias zumbis que se recusam a morrer. É mais seguro apostar no mesmo herói pela décima vez do que dar espaço para um diretor que deseja falar sobre o agora. Ficamos viciados no conforto do déjà vu enquanto a indústria desistiu de arriscar para apenas reciclar.

O hardware velho não se resume ao ônibus ou à infraestrutura da cidade, pois ele representa a nós mesmos. Nossos corpos estão exaustos e drenados por uma produtividade que exige que sejamos marcas pessoais o tempo todo, enquanto nossa mente se refugia em um passado plastificado. A tecnologia nos deu ferramentas para sermos deuses da criação, mas escolhemos usá-las para emular filtros de fotos antigas e assistir à reprise eterna de uma juventude que nem sempre foi tão glamourosa.





Se o futuro é apenas um replay em alta definição, por que temos tanta pressa de chegar lá? O grande truque do marketing de nostalgia foi nos convencer de que o melhor já passou, nos transformando em curadores de museu da própria existência. Enquanto o motor do BRT continua seu lamento metálico, a pergunta que fica no ar, abafada pela fumaça do escapamento, é por que temos tanto medo de escrever um roteiro que ainda não conhecemos o fim.

O novo não tem chance enquanto continuarmos entregando nossa atenção apenas ao que já possui selo de aprovação de vinte anos atrás. Estamos presos nessa atualização infinita esperando que o sistema carregue algo diferente, enquanto o hardware ferve e a roleta digital continua girando com promessas de uma sorte que o algoritmo nunca permitirá que você alcance.

Se você pudesse deletar uma "atualização" do passado para finalmente forçar o sistema a criar algo novo hoje, qual memória você escolheria apagar?
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A Cachorra (originalmente La perra, 2017), da colombiana Pilar Quintana, não estava na minha lista, mas chegou como esses livros costumam chegar: no momento certo, com uma intensidade que não pede licença. Ambientada no litoral pacífico colombiano, a narrativa acompanha Damaris, uma mulher negra que carrega no corpo e na alma o peso de uma maternidade que nunca veio. Quando adota uma cadela e a nomeia Shirley, o mesmo nome que daria à filha que não teve, algo se rompe por dentro de forma quase imperceptível. É ali que o livro começa a cobrar seu preço emocional.

O que Pilar Quintana constrói com delicadeza e crueldade é o retrato de uma carência que vai se enraizando. Damaris projeta em Shirley tudo o que represou por anos, e acompanhar essa relação é desconfortante porque é reconhecível. A maternidade aqui não é celebrada nem condenada, ela é dissecada em sua complexidade mais sombria: o desejo não correspondido, as frustrações que viram ferida, os traumas do passado que habitam o presente como fantasmas que nunca foram embora.

A autora revelou em entrevista à FLIP que sua obra é atravessada por simbolismos que passam despercebidos em uma primeira leitura. O mar engole as pessoas e as cospe deformadas. A selva as devolve em estado pior. São monstros que habitam a paisagem, mas a grande virada do livro é perceber que o monstro mais assustador mora dentro da própria Damaris. Ela se torna aquilo que temia, e essa transformação é narrada sem julgamento e sem salvação fácil. Pilar uma vez perguntou sobre sua própria escrita: "O que precisa acontecer na minha vida para que eu me converta em um ser horrível que eu não reconheça?" Essa pergunta pulsa em cada página.



Vale deixar aqui uma curiosidade que diz muito sobre o livro: Pilar Quintana o escreveu no celular, em fragmentos roubados enquanto amamentava o próprio filho. Há algo de poético e perturbador nisso, uma obra sobre o vazio da maternidade gestada justamente dentro dela. A Cachorra é pequeno em páginas e imenso no que deixa. Recomendo, mas com aviso: ele não sai de você tão facilmente.

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Ao longo de 2026, eu e minhas amigas Sixa e Maria do Bairro decidimos unir forças para ler obras que vão ganhar adaptações, e queria contar como tem sido essa experiência do Amigas de Peito Book Club.



A primeira foi a aclamada Verity, da Colleen Hoover, lida por mim e pela Sixa. O que dizer? A autora sendo problemática em diversas cenas, como de costume, mas é inegável que a escrita dela tem algo que prende: é fluída, rápida e te faz querer continuar. Só que, cá entre nós, acho importante separar uma boa história de uma história bem escrita, porque para mim são coisas bem distintas. A trama acompanha Verity, uma escritora superaclamada que por razões que vão se revelando aos poucos faz com que o marido contrate uma escritora fantasma para dar continuidade à sua obra. Para isso, a protagonista precisa se mudar para a mansão do homem, ainda desconhecido para ela, e o que começa ali tem uma atmosfera quase de terror. Estou ansiosa para a adaptação, tanto pelo elenco quanto por algumas cenas que tenho curiosidade de ver como vão colocar em tela. Quem já leu sabe, especialmente a cena do cabide.

A segunda leitura, essa sim feita pelas três, foi A Guarda-Costa, uma comédia romântica com uma protagonista baixinha e carrancuda que tinha a vida exatamente como queria: projetos promissores no trabalho, família, namorado. Até que tudo desmorona de uma vez: a mãe falece logo no início da história, o namorado escolhe justamente esse momento para terminar o relacionamento e ela ainda é tirada do projeto pelo qual vinha lutando. Como consequência, acaba sendo designada para ser guarda-costa de um famoso, e a partir daí começa a viver aventuras que nunca imaginou serem para ela. É um livro muito charmoso e vai ser uma delícia ver nossa eterna Blair em um filme de natal.

Além dessas, as leituras que escolhemos para completar o ano são:

  1. Até que o Inferno nos Separe (leitura atual)
  2. Quando ela Desaparecer
  3. Os 12 Signos de Valentina
  4. Orgulho e Preconceito (sim, eu sei que já existem muitas adaptações, mas aqui estamos)
  5. Quinze Dias
  6. Quarto de Despejo
  7. Os Dez-Vantagens de Morrer Depois de Você
  8. Véspera

A lógica do nosso clube é bem pelo feeling: escolhemos obras que nos chamam atenção, com um carinho especial por livros nacionais, mas a lista é completamente mutável e até dropável. Sem pressão de um título por mês, se terminarmos antes já partimos para o próximo e vice-versa. 


E você tem alguma meta de leitura para 2026? Se tiver, especialmente no Skoob ou no Maratona App, já me segue por lá!

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Faz um tempo que os animes sumiram daqui, e sinto que estava devendo essa conversa. São tantos títulos bons chegando que fica difícil acompanhar tudo, mas separei os que mais me marcaram nos últimos anos para compartilhar com vocês. Faltaram alguns que merecem atenção, então se tiver interesse em uma segunda parte, me conta nos comentários!

Witch Hat Atelier

Conta a história de Coco, uma menina comum apaixonada por magia desde pequena. Já no primeiro episódio você se encanta: a animação é incrivelmente bem feita, com traços simplesmente lindos e vários momentos de pura contemplação. Coco mora com a mãe em um vilarejo e sempre sonhou em se tornar uma bruxa, mas dizem que apenas quem nasce com o dom pode trilhar esse caminho. Ela já havia guardado esse sonho no fundo do coração quando viu o bruxo Qifrey lançar uma magia e descobriu um segredo que mudaria tudo. Nesse desenrolar, você ri, chora e se surpreende. Vale muito assistir à versão dublada, que deixa a experiência ainda mais bonita.



Daemons of the Shadow Realm

O queridinho do momento chegou aclamado mesmo antes de estrear, e não é para menos: é da mesma criadora de Fullmetal Alchemist, obra que dispensa apresentações. Conhecemos dois irmãos gêmeos separados pelo dia e pela noite. Ele vive em seu vilarejo cuidando da irmã, que permanece isolada em uma espécie de porão, até descobrir que o mundo em que vive é uma mentira. A partir daí começa a verdadeira jornada em busca da irmã real, com personagens incríveis ao longo do caminho. Deixo aqui minhas palmas para os melhores: o da esquerda e o da direita. Apesar de apresentar alguns elementos que os fãs da outra obra da autora vão reconhecer imediatamente, vale muito a pena.



Diário de uma Apotecária

Aqui conhecemos Momo, uma jovem de 17 anos que ajuda o pai, médico em sua vila, até ser sequestrada ao sair para buscar ingredientes e obrigada a trabalhar no palácio. Aos poucos ela conquista a confiança das pessoas ao redor e retoma sua profissão, e a relação dela com o adorável eunuco é simplesmente hilária. Uma observação importante: é uma série para assistir com crianças a partir dos 13 ou 14 anos, pois há cenas com conteúdo mais adulto, afinal estamos falando de uma época em que bordéis de luxo faziam parte do cotidiano.



Frieren

Confesso que não conhecia até que um colega do trabalho me indicou com entusiasmo que até suspeitei mas me garantindo que era completamente a minha cara. Achei exagero na época, mas o pior é que amei. É lindo tanto nos traços quanto na narrativa: uma história de fantasia que acompanha Frieren, uma elfa imortal, lidando com a perda dos companheiros humanos após dez anos de jornada para derrotar o Rei Demônio. O coração da história está no arrependimento dela por não ter conhecido melhor quem amava e na nova busca por conexões verdadeiras.



Dan Da Dan

O famoso anime da Netflix. Assisti com meu noivo, mas faltando uns três episódios da última temporada acabei abandonando. Os traços são bonitos e a história tinha tudo para ser incrível, mas o conteúdo é completamente sexualizado, e o que mais me incomodou é que isso acontece com personagens adolescentes que ao mesmo tempo se infantilizam. Achei problemático demais e preferi deixar de lado.



Spy x Family

O que falar da amada Anya? Uma criança órfã adotada por um espião para servir de pretexto em uma de suas missões. A série se aprofunda em temas surpreendentes como perda e luto, mas no geral é leve, divertida e cheia de energia. Esse realmente pode ser curtido em família: pessoas de idades diferentes vão se divertir e sair com lições completamente distintas.




É isso por hoje! Espero que algum desses títulos desperte aquela vontade de abrir uma nova aba e já ir procurar o primeiro episódio, porque essa sensação de começar um anime novo e se apaixonar logo de cara não tem preço. Me conta aqui nos comentários qual deles você já conhece, qual está na sua lista e, claro, se quer a parte 2 com as outras indicações que ficaram de fora. Até a próxima!
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Pensa comigo: você acorda de manhã, pega o celular antes mesmo de sair da cama, rola o feed por uns minutos e, sem perceber, já foi impactada por pelo menos dez mensagens diferentes. Uma promoção de café, um post motivacional, um stories de uma marca que você nem segue direito, mas que apareceu assim, do nada. E sabe o que é curioso nisso tudo? Você provavelmente não vai lembrar de metade dessas mensagens daqui a uma hora. Mas alguma coisa ficou. Sempre fica.

Isso é a comunicação funcionando, silenciosa e constante, como ela sempre fez.





Antes de tudo, o que é comunicar de verdade?

A gente aprende na escola que comunicação é a troca de informações entre um emissor e um receptor. Simples assim, direitinho no esquema do Jakobson. Mas na prática, comunicar é muito mais do que passar um dado de um lado para o outro. É criar significado. É fazer com que algo ressoe em quem recebe. É, acima de tudo, estabelecer uma conexão.

E isso existe desde sempre. Antes da escrita, antes do papel, antes da internet, os seres humanos já pintavam nas paredes das cavernas, dançavam ao redor do fogo, usavam símbolos e rituais para se entender. A necessidade de se expressar e de ser compreendida é, basicamente, uma das coisas mais humanas que existem.

O que muda ao longo do tempo não é a essência dessa necessidade. O que muda são as ferramentas, os suportes, as linguagens e, claro, os interesses por trás de cada mensagem.

E aí entra a publicidade, bem no centro dessa história

Dá para dizer que a publicidade é uma das formas mais honestamente desonestas de comunicação que existem. Não é uma crítica, é quase um elogio. Porque ela nunca fingiu ser neutra. Ela tem um objetivo claro: convencer. Vender. Seduzir. E faz isso abertamente, com toda a criatividade e estratégia que pode reunir.

Enquanto o jornalismo luta para parecer imparcial (com todos os conflitos que isso gera, como vimos), a publicidade abraça seu viés com orgulho. Ela diz: "Eu estou aqui para te encantar e, se der certo, você vai querer o que eu estou oferecendo." Há algo quase refrescante nessa transparência de propósito.

O problema, claro, é quando esse convencimento passa a operar de formas que as pessoas não conseguem identificar facilmente. Quando a mensagem publicitária se disfarça de conteúdo espontâneo, de opinião sincera, de informação neutra. Aí a conversa muda de tom.

A linguagem que a publicidade inventou (e que todo mundo fala hoje)

Uma coisa que poucos param para perceber: boa parte da forma como nos comunicamos hoje foi moldada pela lógica publicitária. O storytelling que virou buzzword em reuniões corporativas? A publicidade usava isso décadas antes de virar pauta de workshop. A ideia de que uma marca precisa ter "personalidade", "voz" e até "valores"? Também. O conceito de que você não está vendendo um produto, mas um estilo de vida, uma identidade, um sonho?

Tudo isso surgiu nas agências, nas cabeças de redatores e diretores de arte que entenderam, muito cedo, que as pessoas não compram coisas. Elas compram sentimentos. Pertenças. Versões de si mesmas que gostariam de ser.

A Coca-Cola não vende refrigerante há décadas. Ela vende felicidade, reuniões de família, aquele momento gostoso de uma tarde quente. A Apple não vende computadores. Vende a ideia de ser criativa, diferente, à frente do seu tempo. Você já sabe disso, provavelmente. Mas saber não nos torna imunes, e esse é o ponto mais fascinante de tudo.

Por que a gente se deixa levar mesmo sabendo?

Aqui mora uma das perguntas mais interessantes sobre comunicação persuasiva. A resposta tem a ver com emoção. O nosso cérebro toma decisões de forma muito mais emocional do que gosta de admitir. A razão entra depois, para justificar o que já foi decidido lá embaixo, no sistema límbico, naquela camada que responde a imagens, sons, memórias afetivas e sensações.

A boa publicidade fala diretamente com essa camada. Ela não argumenta. Ela evoca. Coloca uma música que te lembra de algo bom, usa uma cor que te passa segurança, escolhe um rosto que parece familiar e acolhedor. E quando você percebe, já está com o produto no carrinho.

Isso não é manipulação no sentido pejorativo mais cru da palavra. É, na verdade, uma aplicação profunda de como os seres humanos funcionam. O problema ético começa quando essa compreensão é usada para enganar, para explorar vulnerabilidades, para vender o que não entrega o que promete.

O papel da comunicação além de vender

Mas seria muito redutor falar de comunicação apenas pelo ângulo comercial. Porque ela também educa, acolhe, mobiliza e transforma. Uma campanha de saúde pública bem feita salva vidas. Um livro que chegou nas mãos certas na hora certa muda trajetórias. Uma conversa honesta entre duas pessoas resolve o que anos de mal-entendido acumularam.

A publicidade social, por exemplo, usa as mesmas técnicas de sedução da publicidade comercial para causas que importam: conscientização sobre violência doméstica, campanhas de vacinação, incentivo à leitura. E funciona da mesma forma, porque o ser humano é o mesmo em todos os contextos.

O que isso nos diz é que as ferramentas de comunicação são neutras em si mesmas. O que define o impacto é a intenção de quem as usa e a consciência de quem as recebe.

Comunicação na era das telas (e de tudo ao mesmo tempo)

Vivemos um momento absolutamente inédito na história da comunicação humana. Nunca antes tantas mensagens disputaram a atenção de tantas pessoas ao mesmo tempo. Nunca antes qualquer pessoa com um celular pôde alcançar milhares de outras em questão de segundos. E nunca antes foi tão difícil separar o que é genuíno do que é encenado.

A publicidade precisou se reinventar dentro desse cenário. O modelo clássico de interromper o que você está fazendo para exibir um anúncio perdeu força. As pessoas aprenderam a ignorar banners, a pular vídeos no décimo segundo, a deslizar o feed sem parar nos posts patrocinados. A atenção virou o recurso mais escasso e mais disputado do nosso tempo.

E aí surgiu o conteúdo. A ideia de que, se você não pode interromper, você precisa fazer parte. Que a marca precisa entregar algo que valha a atenção: uma informação útil, um momento de humor, uma perspectiva diferente, uma história que emocione. O marketing de conteúdo, os influenciadores, os podcasts patrocinados, os canais no YouTube de marcas que parecem mais produtoras de entretenimento do que empresas. Tudo isso é a publicidade tentando ser comunicação de verdade, não só ruído.

O que fica no fim de tudo isso

Comunicar bem é, em alguma medida, uma responsabilidade. Quem trabalha com isso carrega nas mãos algo que tem poder de verdade: o poder de moldar percepções, criar significados, mover pessoas. Seja no anúncio de trinta segundos, no post de Instagram, no artigo longo, na campanha social ou na conversa de corredor.

E talvez o mais bonito de estudar comunicação, na teoria ou na prática, seja perceber que ela nunca é só técnica. Por trás de cada estratégia existe um entendimento sobre o outro. Sobre o que ele sente, o que ele precisa, o que ele sonha. Comunicar, no fundo, é tentar se colocar no lugar de quem vai receber a mensagem. É um exercício constante de empatia.

E a publicidade, com todas as suas contradições e belezas, é talvez o lugar onde esse exercício acontece de forma mais criativa, mais intensa e mais visível do nosso tempo.

Então, da próxima vez que um anúncio te tocar, te fazer rir ou te emocionar, vale pausar um segundo e pensar: o que exatamente me alcançou aqui? Porque entender isso é o primeiro passo para se relacionar com a comunicação de forma mais consciente e, quem sabe, mais encantadora.

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Carolina Rozeira

Comunicóloga apaixonada por fotografia desde os 6 anos, viciada em séries, livros e chá gelado, tutora de três gatinhos

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