eu não sou capaz
Quando pensei nesse tema, percebi que a frase da qual mais me arrependo nunca foi dita para outra pessoa, mas para mim mesma. Durante muito tempo repeti silenciosamente que eu não era capaz, que precisava estudar mais, ganhar mais experiência ou esperar a oportunidade certa. O problema é que essa oportunidade nunca chegava, porque eu mesma me escondia dela. Hoje entendo que a pior crítica que recebi na vida foi aquela que eu fazia para mim todos os dias.
A autossabotagem é traiçoeira porque ela não faz você ser menos competente, ela faz você agir como se fosse. Já trabalhei em lugares onde eu era, sem falsa modéstia, uma das pessoas mais preparadas tecnicamente da equipe. Mesmo assim, me encolhia em um canto e deixava profissionais muito mais medianos conduzirem reuniões, venderem ideias e até receberem crédito por projetos que eu havia criado ou estruturado. Na época eu dizia que não ligava para reconhecimento, mas a verdade é que eu não acreditava que tinha autoridade para ocupar aquele espaço.
O mais curioso é que, depois que saí desse ambiente, levaram quase um ano para encontrar alguém que conseguisse entregar um trabalho no mesmo nível. Foi um choque perceber que o problema nunca tinha sido falta de capacidade. O problema era que eu mesma havia passado anos convencida de que não era boa o suficiente. Enquanto eu diminuía minha própria voz, outras pessoas ocupavam esse silêncio com uma confiança que nem sempre era sustentada por competência.
Hoje não posso dizer que me curei completamente desse sentimento. Ainda existem momentos em que essa voz aparece, tentando me convencer de que talvez eu devesse ficar quieta. A diferença é que agora eu aprendi a responder. Se fui contratada como profissional, faço questão de agir como tal. Dou minha opinião técnica, explico meus motivos e deixo claro qual é a minha recomendação. Se alguém preferir seguir outro caminho, é uma escolha, mas também deixo claro que não é o caminho indicado por quem foi contratada justamente pela experiência que construiu.
Acho que meu maior arrependimento não foi ter errado ou perdido oportunidades. Foi ter passado tantos anos acreditando em uma mentira que eu mesma repetia. É estranho perceber que, muitas vezes, a pessoa que mais limita nosso crescimento não é um chefe, um colega ou um concorrente, mas a voz que insiste em dizer que ainda não somos suficientes.
Se eu pudesse voltar no tempo, diria apenas uma coisa para a Carolina de alguns anos atrás: pare de diminuir a sua própria voz. O mundo já vai tentar fazer isso algumas vezes, você não precisa ajudá-lo. Hoje ainda estou aprendendo a silenciar essa frase, mas sempre que ela aparece escolho responder de outra forma. Não com arrogância, mas com a tranquilidade de quem finalmente entendeu que ser capaz e acreditar nisso são coisas completamente diferentes.


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igual eu , mesmo sentimento
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