Acho que uma das coisas mais estranhas de amadurecer é perceber que muitos dos conselhos que a gente achava chatos começam a fazer sentido. Não porque os adultos estavam certos sobre tudo, longe disso, mas porque algumas coisas só ficam óbvias depois que você quebra a cara algumas vezes.
Uma das lições que eu gostaria de ter aprendido mais cedo é que desconfiar das pessoas não significa se fechar para elas. Nem todo mundo que chega com um sorriso tem boas intenções, amizades acabam, pessoas decepcionam e algumas relações que pareciam eternas simplesmente deixam de fazer sentido. Só que viver esperando a próxima decepção também é uma forma muito triste de passar pela vida. Hoje acho que maturidade é aprender a observar mais, confiar aos poucos e, ainda assim, continuar permitindo que novas amizades e novos amores entrem.
Também queria ter entendido antes a importância de guardar dinheiro. Não estou falando daquela ideia quase fantasiosa de ficar rica economizando o dinheiro de um cafezinho, mas de criar o hábito de guardar alguma coisa quando for possível. R$ 20, R$ 50, R$ 100. O valor muda conforme a realidade de cada pessoa. O importante é entender cedo que dinheiro guardado não serve apenas para comprar coisas. Ele compra tranquilidade, possibilidade de escolha e, principalmente, tempo para decidir o que fazer quando alguma coisa dá errado.
E talvez a maior lição seja sobre futuro.
Aos 18 ou 19 anos existe uma pressão absurda para decidir o que você quer fazer pelo resto da vida. Escolher uma faculdade, uma profissão, começar uma carreira e aparentemente ter um plano inteiro pronto. Só que muita gente simplesmente não sabe ainda. E tudo bem não saber. O problema, para mim, é transformar essa dúvida em pressa e entrar em qualquer faculdade, assumir uma dívida ou escolher qualquer profissão apenas para sentir que está “fazendo alguma coisa”.
Se eu pudesse conversar com alguém nessa idade que ainda não sabe o que quer, eu daria uma alternativa que quase nunca aparece nesses discursos: pense também em estabilidade. Estude para um concurso mais acessível, de nível médio, por exemplo. Não precisa ser o emprego dos seus sonhos e muito menos o lugar onde você vai passar o resto da vida. Pode simplesmente ser o lugar que paga suas contas enquanto você descobre qual é o seu sonho.
E isso não significa trabalhar apenas para “cumprir função”. Serviço público também é trabalho, responsabilidade e pode ter impacto real na vida de outras pessoas. Ao mesmo tempo, a estabilidade pode permitir que você faça uma faculdade com mais calma, estude outra coisa, viaje, abra um negócio, produza arte ou tente aquela carreira que parecia arriscada demais quando você não tinha nem como pagar as próprias contas.
Claro que existem pessoas completamente fora da curva. Gente que aos 18 anos já sabe exatamente o que quer, aposta tudo naquilo e consegue fazer acontecer. Mas essa não é a realidade de todo mundo, e talvez a gente devesse parar de planejar a vida como se precisasse ser.
No fim, acho que a maior lição que eu queria ter aprendido antes é justamente essa: amadurecer não é ter todas as respostas. É começar a construir uma vida que te dê espaço para encontrá-las.
Guardar um pouco de dinheiro, pensar alguns passos à frente, aprender a reconhecer quem merece permanecer por perto e criar alguma estabilidade não torna a vida menos espontânea. Talvez seja justamente o contrário. Quando existe algum chão, fica muito mais fácil ter coragem para sonhar.




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