document yout life | out 2026 | #05

by - outubro 30, 2026

Outubro foi um daqueles meses em que parece que vivi umas três vidas diferentes. Teve aniversário, comida japonesa, livros maravilhosos, novos projetos, algumas horas de jogatina e, para fechar com chave de ouro, uma eleição presidencial que praticamente transformou o Brasil no último episódio de uma série de suspense político. Confesso que não estava preparada emocionalmente para tantas emoções, mas aqui estamos, vivíssimas e com muitas histórias para contar.

Resolvi começar meu Document Your Life justamente para isso: registrar as pequenas coisas que acontecem durante o mês, mesmo aquelas que não parecem extraordinárias. Afinal, nem toda lembrança precisa envolver uma viagem internacional ou algum grande acontecimento. Às vezes, um jantar gostoso, um livro que nos marcou ou uma tarde tranquila em casa já merecem seu espacinho na memória.



No dia 11 de outubro, completei oficialmente 30 anos! E, embora outubro seja o mês de aniversário de boa parte da minha família, nunca fui exatamente uma grande entusiasta de festas. Minha ideia inicial era comprar um vestidinho inspirado em De Repente 30, porque, obviamente, eu precisava prestar essa homenagem à Jenna Rink. Quem tem essa referência, tem! Infelizmente, o vestido não chegaria a tempo e precisei abandonar temporariamente meu momento protagonista de comédia romântica dos anos 2000. Uma verdadeira tragédia fashion.

No fim das contas, meu aniversário foi exatamente como eu gosto: tranquilo e acompanhado de uma pessoa especial. Meu parceiro me levou para jantar em um restaurante japonês e, gente, quem me conhece sabe que sou completamente apaixonada por sushi. Comi tanto que seria injusto dizer que outubro foi um mês gastronômico, porque praticamente toda essa responsabilidade ficou concentrada em um único dia. Foi uma noite deliciosa e me fez pensar em como envelhecer também significa aprender a valorizar comemorações mais simples, sem a obrigação de transformar tudo em um grande evento.




Uma das notícias mais felizes de outubro foi confirmar minha matrícula no curso técnico de Multimídia do Senac, para o qual fui sorteada! Fiquei extremamente animada, especialmente porque estou finalizando minha graduação em Publicidade e Propaganda e continuo apaixonada por descobrir novas possibilidades dentro da comunicação. O curso tem duração de quase um ano e espero aproveitar bastante essa oportunidade para conhecer áreas da produção audiovisual que ainda não explorei tão profundamente.

Tenho muita vontade de entender melhor os bastidores de grandes produções, especialmente os processos técnicos utilizados por emissoras de televisão e equipes profissionais. Acho engraçado como, mesmo depois de tantos anos trabalhando na área, continuo encontrando assuntos que despertam minha curiosidade. E, sinceramente, espero nunca perder essa vontade de aprender. Se depender de mim, vou ser aquela senhorinha que resolve começar outra faculdade aos 70 anos simplesmente porque achou a grade curricular interessante.



A leitura escolhida para outubro no clube Amigas de Peito foi Marina, do maravilhoso Carlos Ruiz Zafón, indicação minha porque simplesmente adoro esse autor e queria muito que as meninas conhecessem sua escrita. Essa é a terceira vez que leio o livro e continuo encantada com a maneira como ele constrói suas histórias. Para quem ainda não conhece, Zafón foi um escritor espanhol que misturava mistério, elementos góticos e pequenos toques de realismo mágico, criando atmosferas tão envolventes que parece impossível não se apaixonar. Marina é um livro curtinho, com menos de 200 páginas em algumas edições, e uma excelente oportunidade para conhecer seu universo literário.

Uma curiosidade que sempre me encantou foi a resistência de Zafón às adaptações cinematográficas de suas obras. Ele defendia a experiência literária e acreditava que seus livros deveriam ser vividos principalmente por meio da leitura, algo que considero especialmente interessante nessa época em que praticamente tudo precisa virar uma série de streaming. Também descobri recentemente a existência de uma versão em audiolivro de A Sombra do Vento, uma das minhas obras favoritas da vida, e agora preciso encontrar uma oportunidade para ouvi-la. Aliás, se vocês nunca leram esse livro, considerem esta minha recomendação oficial e completamente apaixonada.



Neste mês, também terminei de acompanhar os episódios disponíveis de Witch Hat Atelier e estou completamente apaixonada pela história. A estética, os personagens e toda aquela construção delicada do universo mágico são simplesmente encantadores. Agora só me resta aguardar os próximos episódios e sofrer pacientemente, como qualquer pessoa que resolve acompanhar uma produção que ainda não terminou. Também comecei a assistir à nova temporada de MasterChef Profissionais e já estou bastante animada, especialmente com a participação da Irina, que acho muito simpática, e do Léo, que acompanhei no MasterChef Confeitaria. Claro que sempre existe uma galera que parece estar ali exclusivamente para biscoitar, mas faz parte do entretenimento, não é mesmo?

Uma coisa curiosa é que, apesar de trabalhar com redes sociais, não costumo acompanhar muitas celebridades e influenciadores nos meus perfis pessoais. Gosto de saber sobre seus trabalhos, mas prefiro evitar aquela exposição constante a vidas aparentemente perfeitas. Afinal, ninguém merece abrir o Instagram depois de um dia comum e descobrir que alguém da sua idade comprou outra mansão, viajou para a Europa pela quinta vez no mês e pegou um jatinho exclusivamente para malhar em outra cidade. Enquanto isso, minha grande vitória do dia foi lembrar de tirar o frango do congelador. Acho que precisamos aprender a consumir menos comparações e valorizar um pouquinho mais a vida que acontece fora das telas.



Outra novidade de outubro foi que comecei a fazer doces para vender! Tenho um projetinho pessoal em andamento e resolvi aproveitar uma coisa que sempre gostei muito de fazer para levantar um dinheiro extra. Quem me conhece sabe que adoro cozinhar, principalmente preparar bolos e sobremesas, então pensei: por que não? E não é que deu certo? As pessoas gostaram bastante, recebi retornos muito positivos e comecei até a considerar a possibilidade de transformar isso em alguma coisa maior no futuro. Ainda não sei exatamente onde essa ideia vai chegar, mas estou me divertindo bastante com a experiência.

E aqui preciso abrir um parêntese importantíssimo: gostar de fazer bolo não me faz menos feminista, tá, gente? Uma mulher pode amar cozinhar, cuidar da casa, usar vestidos floridos e continuar defendendo os direitos das mulheres. O feminismo não deveria nos obrigar a rejeitar tudo aquilo que foi historicamente associado ao feminino, mas garantir que tenhamos liberdade para escolher o que queremos fazer. Eu gosto de fazer bolo porque gosto de fazer bolo, não porque acredito que meu destino biológico seja passar a vida alimentando um homem. Inclusive, se amanhã eu decidir passar uma tarde inteira preparando cupcakes cor-de-rosa enquanto ouço Madonna, ninguém precisa vir apreender minha carteirinha de feminista na saída da cozinha. Muito obrigada!



Se no começo de outubro eu estava completamente angustiada com os rumos da política brasileira, o final do mês me trouxe um sentimento que há algum tempo eu não experimentava com tanta intensidade: esperança. Depois de semanas acompanhando discussões, declarações absurdas e pessoas defendendo coisas que considero completamente incompatíveis com uma sociedade democrática, foi emocionante observar a mobilização de tanta gente para participar das eleições. Jovens, estudantes, idosos e pessoas de diferentes gerações foram às ruas e às urnas para exercer um direito que, historicamente, custou muito a ser conquistado. O segundo turno registrou uma abstenção de aproximadamente 19,2%, a menor para essa etapa desde 2006, e mais de 128 milhões de brasileiros participaram da votação. Em tempos de tanta descrença nas instituições, ver essa mobilização foi algo realmente bonito.

E, sim, fiquei muito feliz com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para mais quatro anos de mandato. Para mim, essa vitória representa também a continuidade de um projeto político com o qual me identifico e, principalmente, a oportunidade de fortalecer nossas instituições democráticas. Mas também acredito que a esquerda precisa aproveitar os próximos anos para construir novas lideranças, renovar sua imagem e apresentar nomes capazes de dialogar com diferentes gerações. Um exemplo que chamou minha atenção foi Rafael Fonteles, governador do Piauí, matemático e mestre pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada. Durante a apuração, ele antecipou a vitória de Lula quando menos de 2% das urnas haviam sido contabilizadas! É muito interessante observar uma liderança que reúne formação acadêmica sólida, experiência administrativa e participação política. Claro que diploma não é garantia de competência ou caráter, mas seria interessante ver mais pessoas com esse perfil participando do debate nacional.

Agora, os dias seguintes à votação foram um espetáculo à parte, e não necessariamente no bom sentido. Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil rumo aos Estados Unidos depois da derrota, mesmo diante de uma determinação judicial para entregar seus passaportes. Como se isso não fosse suficientemente surreal, circularam versões de uma carta atribuída a ele que o apresentavam como o verdadeiro presidente eleito, embora posteriormente a declaração tenha sido modificada (à pedido de Trump). Gente, em que momento a política virou um episódio perdido de The Office? É impressionante como algumas pessoas parecem ter uma dificuldade gigantesca de aceitar que a democracia também envolve perder eleições. Fiquei pensando em como passamos semanas acompanhando discursos sobre patriotismo para terminar assistindo a esse tipo de situação. É tragicômico, mas, acima de tudo, preocupante.

Claudia Sheinbaum | Presidenta do México


Uma das imagens mais bonitas desse período, para mim, foi o gesto das pessoas levantando a mão e formando a letra L como símbolo de apoio e resistência. Em meio a um cenário internacional no qual movimentos autoritários e de extrema direita continuam ganhando espaço em diferentes países, ver manifestações em defesa da democracia me trouxe uma sensação muito especial. Talvez seja meu cérebro completamente contaminado por livros e filmes distópicos, mas não consegui evitar a comparação com Jogos Vorazes. Existe alguma coisa muito simbólica em observar pessoas erguendo as mãos para demonstrar que não estão dispostas a abrir mão dos seus direitos. É quase como assistir à Katniss Everdeen levantando os três dedos, só que, na nossa versão, o símbolo é outro e a arena é a própria política brasileira.

E antes que alguém diga que estou romantizando a política, eu sei perfeitamente que nenhuma eleição resolve todos os problemas de um país. Também sei que nenhum político deveria ser colocado em um pedestal, independentemente do partido. Mas acredito que precisamos reconhecer os momentos em que a participação popular demonstra sua força. A democracia não é um presente que recebemos e guardamos em uma gaveta; é uma construção permanente, que depende de participação, fiscalização, informação e, principalmente, da disposição de defender direitos mesmo quando isso exige algum esforço. Talvez seja justamente por isso que outubro tenha terminado me deixando tão emocionada.

Toda essa experiência eleitoral também me fez assumir um compromisso comigo mesma: quero estudar mais sobre política. Não apenas acompanhar notícias ou discussões nas redes sociais, mas realmente compreender melhor os diferentes sistemas políticos, as origens da esquerda, da direita e do centro, os movimentos ideológicos e a maneira como essas correntes influenciaram a história do mundo. Quero entender como determinadas ideias surgiram, como foram transformadas ao longo dos séculos e por que algumas discussões parecem se repetir constantemente, apenas com personagens e tecnologias diferentes. Já comecei a pensar em uma pequena lista de leituras, misturando obras de não ficção, ensaios históricos e romances que abordam autoritarismo, resistência e organização social.

Acho que uma das coisas mais importantes que podemos fazer é reconhecer aquilo que ainda não sabemos. Não quero construir minhas opiniões apenas a partir de manchetes, vídeos de um minuto ou comentários de pessoas que nunca abriram um livro sobre o assunto. Quero estudar, questionar, rever conceitos quando necessário e desenvolver uma compreensão mais profunda da sociedade em que vivo. Talvez essa seja uma das maiores mudanças que os 30 anos estejam trazendo: a vontade de não apenas ter opiniões, mas conseguir fundamentá-las. E, considerando o tanto de livros que já tenho acumulados, aparentemente minha lista de leituras acabou de ganhar uma nova categoria. Minha estante que lute!



Olhando para tudo o que aconteceu, acho curioso como outubro conseguiu reunir tantos sentimentos diferentes. Completei 30 anos, comemorei com sushi, tive um período mais tranquilo no trabalho, joguei bastante, comecei novos projetos, recebi a notícia de uma oportunidade maravilhosa de estudar e revisitei um dos meus livros favoritos. Também acompanhei uma eleição que me deixou angustiada, emocionada, indignada e, finalmente, esperançosa. Foi um mês em que percebi que crescer não significa abandonar nossas pequenas paixões, mas aprender a encontrar espaço para elas enquanto seguimos construindo nossas próprias histórias.

Talvez seja exatamente por isso que eu queira continuar escrevendo esses registros. Quero chegar aos 40 anos e lembrar que, aos 30, eu ainda era apaixonada por livros, adorava fazer doces, queria aprender absolutamente tudo sobre comunicação e estava descobrindo novas maneiras de enxergar o mundo. Quero lembrar das pequenas alegrias, dos projetos que deram certo, dos que ficaram pelo caminho e até das minhas indignações políticas, porque tudo isso também faz parte de quem eu sou. E, principalmente, quero lembrar que outubro de 2026 terminou me ensinando uma coisa muito importante: a esperança não precisa ser ingênua, ela pode ser acompanhada de consciência, participação e muita vontade de aprender.

Agora que novembro está chegando, espero conseguir retomar meus estudos, organizar melhor meus projetos, continuar minhas leituras e, se possível, passar algumas semanas sem precisar acompanhar uma crise política digna de uma novela mexicana. Porque, sinceramente, uma garota só quer ler seus livrinhos, fazer seus bolinhos, assistir às suas séries e viver em uma democracia funcional. Será que é pedir muito? ♡

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