Lições que você queria ter aprendido antes.
Bom, agora que tenho oficialmente 30 anos, apesar de sentir que já estava nessa faixa etária há pelo menos uns dois anos kkk, acho que podemos continuar o desafio de 30 dias escrevendo. E esse tema me deixou especialmente pensativa: o que eu gostaria de ter aprendido antes?
Com certeza vou esquecer alguma coisa e lembrar enquanto estiver tomando banho, mas tudo bem. Esse post é uma conversa entre amigas, com algumas coisas que fui entendendo enquanto tentava organizar a vida, terminava trabalhos e descobria que ser adulta também envolve ficar feliz por comprar potinhos de vidro para a marmita.
Uma das primeiras é pensar no futuro com um pouco mais de intenção. Você quer ter filhos? Fazer uma faculdade? Morar sozinha? Conhecer outros lugares? Não precisa ter todas as respostas, mas acho importante se fazer essas perguntas, principalmente quando estamos em um relacionamento. Às vezes, a gente vai acompanhando os planos de outra pessoa e demora a perceber que deixou os próprios pelo caminho. Eu, particularmente, daria prioridade aos estudos e à construção de uma autonomia profissional e financeira. Ter condições de bancar as nossas escolhas faz muita diferença, inclusive quando os planos mudam.
E autonomia também passa por saber cuidar do dinheiro. Uma coisa é sonhar com uma viagem; outra é olhar para a conta e começar a guardar um pouquinho para ela acontecer. Nem sempre vai dar para economizar o quanto gostaríamos, eu sei, mas aprender a acompanhar o que entra e o que sai já ajuda. Tenho tentado pensar mais na vida que quero construir, inclusive na estabilidade que desejo ter, e entender quais escolhas de hoje podem me aproximar disso.
Agora, saindo dos grandes planejamentos para uma dica muito específica: comprem calcinhas de algodão, divas kkk. Entre tanta preocupação adulta, também existe o conforto de não passar o dia inteiro usando uma peça que incomoda só porque é bonita. Acho que fui ficando mais criteriosa com essas pequenas coisas. Roupa, sapato, rotina… quero me sentir bem dentro da minha própria vida, até nos detalhes que ninguém vê.
Outra descoberta muito importante: os filmes, as músicas, os livros e as séries que vocês amavam na adolescência não precisam desaparecer porque vocês cresceram. Eu voltei a ler W.I.T.C.H. e fiquei toda bobinha com a nostalgia. Continuo gostando de jogar, de deixar meu calendário com as cores da Kuromi e de outras coisinhas que alguém provavelmente consideraria “infantis”. Mas por quê? Se me diverte e cabe na minha vida, quero continuar gostando. Já temos responsabilidades suficientes sem precisar transformar o lazer em mais uma obrigação de parecer madura.
No trabalho, eu gostaria de ter aprendido mais cedo a observar antes de confiar. Tem gente muito querida e profissional, sim, mas simpatia não é garantia de lealdade. Infelizmente, existem pessoas capazes de te prejudicar para ganhar alguns pontinhos com o chefe. Hoje, acho importante escolher melhor o que compartilho, deixar os combinados registrados e lembrar que não preciso contar a minha vida inteira para alguém só porque dividimos a rotina.
E, ainda sobre trabalho, uma coisa que tenho pensado bastante é que eu quero trabalhar para viver. Quero fazer meu trabalho bem, ter responsabilidade com o que entrego e, ao desligar o computador, ter disposição para os meus outros sonhos. Ler, estudar, escrever, viajar, cuidar da casa, ficar com meus gatos. Não quero chegar ao fim de cada dia tão esgotada que tudo de que gosto precise esperar por uma versão futura de mim que tenha tempo.
Estudem. E não estou falando só de faculdade. Estudem arte, política, cinema, matemática, filosofia, sociologia, qualquer assunto que desperte curiosidade. Eu tenho vontade de aprender tanta coisa e, por muito tempo, acabei adiando algumas delas por medo de não conseguir ou de fazer errado. Só que começar sem saber faz parte. Não dá para exigir de nós mesmas a segurança de quem já pratica algo há anos quando ainda estamos abrindo a primeira página.
Isso vale para criar também. Escrever meu conto, cuidar do blog e experimentar outros formatos têm me mostrado como é bom dar espaço às ideias, mesmo quando elas ainda precisam amadurecer. Se eu esperar me sentir completamente pronta para tudo, vou passar muito tempo apenas imaginando. Às vezes, é preciso fazer, revisar, aprender e aceitar aquele friozinho na barriga de mostrar algo que saiu da nossa cabeça.
Também gostaria de ter entendido antes que descanso não precisa ser uma recompensa por ter feito tudo. Sempre vai existir alguma pendência, uma mensagem para responder ou um assunto para estudar. Passei um mês trabalhando praticamente de casa e tentando aproveitar os intervalos para mergulhar nos estudos, mas acabei ficando ansiosa. Estar em casa não significa estar descansando, e ter uma hora livre não significa que eu preciso preenchê-la imediatamente.
Por fim, tentem cuidar daquilo que prometeram a vocês mesmas. Se querem fazer uma viagem daqui a um ano, comecem a se organizar. Se querem voltar a escrever, reservem um tempinho possível. Ter apoio é maravilhoso, mas precisamos participar da realização dos nossos próprios sonhos. E, se o caminho mudar, tudo bem rever o plano com carinho, sem transformar cada dificuldade em prova de que somos incapazes.
Aos 30, continuo sem saber várias coisas. Tenho desejos muito claros e outras questões que ainda estou tentando entender. Mas gosto de perceber que hoje consigo olhar com mais atenção para o que quero, para o que me faz bem e para aquilo que já não desejo carregar.
Enfim, fui do planejamento familiar à calcinha de algodão, passando por nostalgia, trabalho e potinhos de marmita. Um panorama bastante completo da vida adulta, eu diria kkk. Tenho muitas outras coisas para conversar sobre isso, mas agora quero saber: o que vocês gostariam de ter aprendido antes? E qual descoberta da vida adulta pegou vocês completamente desprevenidas?



Apaixonadinha
Assistindo novos cursos
Não Inviabilize
Marina
Diario de uma Apotecaria, temp 3
1 comentários. Clique aqui para comentar também!
Quando eu era criança, achava meus pais super seguros de si e "sabidos", com respostas para todas as minhas dúvidas. Depois que eu virei adulta e eles se tornaram mais "amigos" do que "pais" pra mim, percebi que, na verdade, eles só fingiam bem.
ResponderExcluirSer adulto é um eterno fingir que sabe o que está fazendo, mas na realidade estar tão perdido quanto qualquer um. É no caminho e com o tempo que a gente vai aprendendo, descobrindo o que gostamos, queremos, ou não. E tá tudo bem.
Adorei seu post!
Beijos!
Livro de Memórias